Talvez vocês tenham essas mesmas perguntas.
 
 
Confiram!
 
Comida viva, raw food e crudivorismo são sinônimos da mesma dieta?
R. Sim, são sinônimos, mas diferem da Alimentação Viva (live food ou living food), que se trata de uma forma de se alimentar baseada principalmente nas sementes germinadas. O foco é a germinação de sementes, embora acompanhem todos os vegetais crus. No caso do crudivorismo o foco é no alimento cru como um todo e não se apóia na semente. Usam-na em suas preparações eventualmente, mas sem dar atenção à isso.
 
Aliás, isso é uma dieta? 
R. Alguns adeptos entendem assim. Daí se preconiza como tratamento.Nós entendemos como uma proposta de estilo de vida baseado na vitalidade. Vai além dos alimentos que ingerimos pela boca! Considera-se o ar, a água, o sol, além dos alimentos produzidos na terra, todos como alimentos para a manutenção da vida. A semente germinada carrega o “impulso” para mudanças de hábitos porque nos traz vitalidade, anima e impulsiona para o maior contato com a natureza. 
 
Como coordenadora do projeto, de onde a partiu a idéia?
R. De minha própria experiência pessoal, depois que aprendi com minha irmã. Quando vi os resultados acontecendo tão rápido, vi que estava vivendo algo que precisava ser partilhado!
 
Qual era intenção na época?
R. Apenas partilhar e contar aos outros o que a alimentação viva pode fazer por nós. Só isso! O projeto foi se desenvolvendo a partir da adesão das pessoas que também foram ficando animadas, até organizar a estrutura que tem hoje. O Terrapia é 100% construído com a presença de pessoas que freqüentam o Centro de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública.
 
Quais as vantagens de comer comida crua? 
R. Aproveitar a energia da vida dos alimentos!Esse aspecto não tem sido considerado ao se falar em alimentação, mas as evidências são muitas! Atualmente já estão sendo considerados pela ciência que estuda as energias, especialmente os conhecimentos da física quântica. Na vida prática observamos em nossas próprias mudanças.
 
Quais os benefícios para a saúde?
R. Falo somente por mim! Esse é um dos nossos princípios no Terrapia. Se minha experiência servir pra alguém, já está bom!A principal diferença é a energia para viver e a regeneração do corpo. Desde 1996 meu corpo vem se modificando. Voltei a enxergar de um olho considerado irrecuperável pela medicina convencional. Tive forças para fazer mudanças em minha vida, força para desenvolver caminhadas longas, subir montanhas, andar de bicicleta, praticar tai-chi-chuan, a mente mais clara e aumentou muito minha capacidade de realizar trabalhos. Não usei mais nenhum medicamento porque não adoeci a ponto de precisar interferência. Já passei dos 60 anos.Nunca tive tanta saúde quanto nesses últimos  anos!
 
Esse tipo de dieta trata doenças?
R. Como a vitalidade promove mudanças, ela pode tratar de pessoas que sofrem. Lembre-se que se tratam pessoas e não doenças! A doença é só uma expressão e pode ser interpretada de muitas maneiras.
 
O que seria o conceito de energia vital?
 
Eu ouvi falar que essa dieta nos Estados Unidos é bem difícil de ser feita. E que no Brasil ela foi um pouco adaptada. Seria isso ou não é nada disso?  Nos Estados Unidos o movimento surgiu nos anos 90? Lá quem seria a pessoa ícone do movimento? E como é isso no Brasil? É pouco difundido? Eu, por exemplo, nunca tinha ouvido falar.
R. Nos EUA a alimentação viva foi fortemente divulgada na década de 70, especialmente na Califórnia, e foi feito até um programa de televisão ensinando como germinar sementes. Ann Wigmore escreveu 15 livros e divulgou o tema amplamente em vários países. Muitos profissionais de saúde aderiram e foram fazendo leituras paralelas, criando outras “escolas”. Ela fundou vários Centros de Recuperação, pois seu foco foi exatamente na recuperação de doenças. Ganhou títulos e foi uma líder forte, com compromisso com a paz. No final de sua vida escreveu sobre a Energia Vital como forma de energia espiritual. Sua culinária, no entanto, não era de fácil aceitação. Entraram em cena os gourmets desenvolvendo sofisticadas preparações, abrindo restaurantes, produzindo vídeos, cursos e até concursos internacionais de culinária. Houve muita sofisticação e mais uma vez virou um negócio de lucro, como é próprio da cultura daquele país, que investe forte na divulgação, embora existam trabalhos também em feiras livres, escolas, etc.
No Brasil fomos adaptando e desenvolvemos a culinária viva brasileira com a imensa variedade de vegetais que temos ao nosso redor. Um país tropical possui uma variedade incalculável de vegetais comestíveis, durante o ano todo! Além disso, como médica de um posto de saúde pública, dediquei-me a desenvolver uma culinária para todos, brasileira, elaborada em grupos de convivência, alegre e de baixo custo! Hoje vejo em diversas classes sociais a criatividade crescendo e ficando cada vez mais interessante! A divulgação da alimentação viva no Rio de Janeiro vem sendo feita principalmente pelo Projeto Biochip na Puc e pelo Terrapia na Fiocruz, mas já existem muitos outros pontos espalhados pela cidade e fora dela! Por isso nos dedicamos à formação de educadores para multiplicar a informação e divulgação, que ainda é bastante insuficiente.  
 
A idéia do Projeto Terrapia é incorporar esses hábitos na comunidade?
R. Sim, entrar na cultura alimentar de nosso país, relembrar a nossa riqueza e, através dela, cuidar do nosso planeta! Lembramos que tudo o que entra, sai de nossos corpos. Com essa alimentação não degradamos o solo, poluímos o ar, ou descartamos embalagens. Além disso, passamos a exigir uma produção de alimentos sem agrotóxicos ou aditivos químicos. Pode parecer muito, mas não é! É sim uma expressão de um desejo de viver respeitando a nossa natureza e a dos outros seres a nossa volta!
 
A idéia é que as pessoas incorporem o hábito sem deixar de comer os alimentos que estão acostumados a comer? 
R. Essa é uma recomendação inicial, pois sabemos que a força vital das sementes vai ajudar na transformação. Um dia você deixa de querer comer tantas gorduras... e não sabe porquê...e assim vai! Nada de estressar para a mudança!
 
As pessoas precisam estar orientadas para preparar comida viva? Requer muito preparo?
R. Sim, Isso é fundamental! Germinar sementes requer conhecimento. É simples, mas é preciso desenvolver a observação sobre a qualidade, a compra, o tamanho, a diferença entre as sementes, enfim, existe um “olho” que precisa ser ativado. Por isso oferecemos cursos, desenvolvemos o site com fotos, dicas, organizamos oficinas e eventos para divulgar a germinação.Depois de germinadas, o preparo é muito simples e o ideal é que seja criativo, isto é, incentivamos a criação de novas receitas vivas!
 
Nessa dieta, não se usa fogão? Os alimentos perdem nutrientes ao serem cozidos? Pode explicar a questão das enzimas?
R. O fogão continua como parte de nossa memória afetiva. Usamos a panela levemente aquecida, com as mãos dentro dela, junto com a comida, para controle da temperatura. Chamamos essa preparação de “amornados” - mornos com amor! Na verdade são arranjos para alimentar o afeto. Com uma panela na mesa todo mundo acha que tem comida! Lembro de minha colega de trabalho que sempre se referiu a nossa refeição como “comida de mentirinha”. Depois da panela na mesa, virou de verdade! Não cozinhamos para que os alimentos não percam a vitalidade. Essa é a razão principal! Algumas enzimas são a expressão física dessa presença da vitalidade, pois se desativam com alta e baixa temperatura e deixam de facilitar a digestão do alimento. Cada alimento traz consigo tudo para sua auto-digestão. Nosso corpo não precisa desenvolver recursos para isso. Assim, conservamos mais nossa própria energia. Na Alimentação Viva não ficamos cansados depois das refeições. Ao contrário, experimentamos uma sensação de relaxamento e serenidade.
 
Como alternativa, os alimentos podem ser desidratados e cozinhados até uma certa temperatura? Explique-me um pouco sobre isso.
R. A vitalidade dos alimentos está contida dentro de uma faixa de temperatura. Assim, se esfriarmos ou aquecermos demais, a planta morre. Por isso não usamos congelados. No entanto, se desidratarmos no sol (o fogo da vida) a planta reduz, mas não acaba com a sua vitalidade. A idéia dos alimentos desidratados foi desenvolvida para facilitar a vida fora de casa. Os pães, bolachas e farinhas facilitam andar com o Alimento Vivo.  Desidratado significa a redução da água no interior do alimento. Mas nunca são cozidos, assados ou torrados! Alguns aparelhos foram desenvolvidos para manter estável uma temperatura mínima, mas gastam muita energia elétrica, portanto são pouco ecológicos. 
 
Essa dieta se diferencia do vegetarianismo pelo cultivo das sementes germinadas e brotos?
R. Não. A diferença é no foco. Podemos ser considerados vegetarianos porque não consumimos animais, mas o que nos move é a vitalidade das plantas e não a defesa dos animais. Muitos cultivam sementes germinadas e brotos e se apresentam como vegetarianos, pela sua posição ideológica! 
 
Assim como uma pessoa se identifica como vegetariana, ela se identifica como crudivorista? Ou o mais normal é a pessoa incorporar esses bons hábitos na dieta?   
R. Pode ser, mas essa identificação não traz nenhum ganho, a meu ver. Quanto menos rótulos, mais liberdade! Sou adepta da alimentação viva porque faz sentido para mim e porque meu corpo gosta! Mas eu não “sou” isso ou aquilo! Quero compartilhar e encontrar amigos que querem viver a vida desse jeito mais próximo da natureza!
 
O suco de clorofila e o suco da luz do sol são as mesmas coisas? Queria dar a receita na matéria.  
R. Quase! A diferença é que não usamos legumes e aumentamos a quantidade de folhas. Mas a base é a mesma.Aí vai a receita, vejam como é fácil:Processe no liquidificador 2 maçãs (retirando antes o cabinhos e as sementes) e extraia o sumo delas, passando num coador de pano ou voal. Não coloque água, basta prensar a maçã com um pepino ou uma cenoura inteira para ajudar a pressionar. Devolva o sumo ao liquidificador e acrescente aos poucos as folhas verdes comestíveis como: grama de trigo, folha de abóbora, folha de batata-doce, couve, chicória, acelga, alface, agrião, hortelã, capim-limão ou outra que desejar. Lembrar que o objetivo é extrair o sumo verde, portanto você pode usar qualquer folha verde comestível que tiver em casa ou ainda as folhas não cultivadas comestíveis. Acrescentar uma xícara de semente germinada. Coe novamente num coador de pano para retirar as fibras, pois desse modo a clorofila pode ser melhor absorvida.
Observações:
1. Não substitua a maçã por outra fruta, pois elas interferem na absorção da clorofila. Se quiser, pode acrescentar legumes;
2. As sementes germinadas de casca dura (muita celulose) podem ser usadas nos sucos, pois serão coadas ao final. Por exemplo: girassol com casca, arroz c/ casca, aveia c/ casca, painço, alpiste, etc.
 
Na pesquisa que eu fiz, as matérias dizem que a comida crua não tem base científica. Não deu tempo ainda de estudar o assunto? 
R. Essa é uma discussão política. A “posse” do conhecimento e da dominação é antiga! Existe ainda hoje uma grande manipulação, especialmente com a ajuda da mídia, fortalecendo grupos em detrimento de outros menos interessantes ao sistema. A ciência mesmo não afirma nada! A ciência é caracterizada pela pergunta. As evidências têm seu valor até que se prove o contrário! Uma das questões mais complexas têm sido os métodos de investigação científica. Aqui o controle ainda é maior. Se não seguir tais princípios, não se considera científico, e assim vai. Mas o novo conhecimento, por exemplo, surge muitas vezes exatamente ao contrariar as evidências. O pensamento dominante vai sempre exercer força maior. Toda a história da medicina mostra isso! Houve tempos em que as medicinas naturais estavam fortes e as intervencionistas fracas. Nos tempos atuais, a intervencionista está em alta e as naturais ficaram em segundo plano. Mas existem muitas pesquisas e métodos incríveis de avaliação que não estão popularizados e que sofrem discriminações fortes. A escola alemã de medicinas naturais é muito forte, por exemplo. E a alimentação crua não é de hoje! Já nos livros dos vedas, na Índia, eram considerados alimentos ideais. Hipócrates referia-se a essa alimentação. Os manuscritos do mar morto ensinam inclusive como germinar e desidratar no sol.  No período das grandes navegações, muitos estudos foram feitos com os brotos e outros experimentos.
 
O que fazemos com esse conhecimento da humanidade? O que fazemos com o conhecimento de nosso próprio corpo? O que fazemos com o conhecimento popular?
Existe um grande vácuo entre os resultados de uma pesquisa e a interpretação desses resultados. Aí entra o humano!
 
Portanto sugerimos que você ouse, seja mais um pesquisador de seu próprio ecossistema corporal! Escute e aprenda consigo mesmo.Assim damos início aos seminários do Terrapia! * As pessoas que se interessam sobre o assunto tem muitas fontes de informações e suporte para suas pesquisas e desenvolvimento pessoal. O site e blog do Terrapia são bastante ricos em receitas e dicas, além de conter contatos de educadores que prestam serviços e dão cursos em diferentes locais e modalidades. E para quem mora distante ou que não pode freqüentar os seminários do Terrapia, há também a possibilidade de aulas on line com os educadores!

 

Capítulo 11: Perguntas e Respostas

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